segunda-feira, 26 de março de 2012

Google Analytics ganha ferramentas para medir impacto das redes sociais em sites

 
Será possível ver o quanto financeiramente plataformas como Twitter e Google+ trouxeram para o portal ou descobrir quais os conteúdos mais populares.

A Google anunciou um conjunto de ferramentas a ser adicionado ao seu serviço de análise de audiência, o Analytics. Ele servirá para medir o impacto das mídias sociais sobre o desempenho do portal.

“Os novos recursos preenchem o vazio entre as redes sociais e as métricas que te interessam – permitindo uma melhor medição de seu valor para os negócios”, afirmou Phil Mui, gerente de produtos da gigante. “Afinal, apesar da crescente popularidade das redes sociais, os sites ainda são os lugares onde as pessoas costumam consumir.”

Segundo a companhia de Mountain View, as novidades chegam para ajudar em três tarefas: medir como as mídias sociais levam a conversões diretas ou conversões futuras, entender como elas melhoram indicadores de performance (KPI, na sigla em inglês) e otimizam o engajamento, e elaborar estratégias eficientes de marketing social que considerem tais índices.

Será possível, por exemplo, ver uma estimativa de quanto monetariamente as redes sociais trouxeram, como as pessoas estão interagindo com seu site a partir delas ou quais conteúdos são os mais populares em cada um dos serviços.

Curiosamente, as imagens de divulgação exibidas no blog fazem referência apenas ao Google+, ao Twitter e ao Reddit, omitindo, assim, plataformas importantes como Facebook e LinkedIn. De acordo com Mui, as novas ferramentas chegarão a todos os usuários nas próximas semanas.

#Poesia. A máquina do mundo - Carlos Drumond de Andrade

E como eu palmilhasse vagamente
uma estrada de Minas, pedregosa,
e no fecho da tarde um sino rouco

se misturasse ao som de meus sapatos
que era pausado e seco; e aves pairassem
no céu de chumbo, e suas formas pretas

lentamente se fossem diluindo
na escuridão maior, vinda dos montes
e de meu próprio ser desenganado,

a máquina do mundo se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter pensado se carpia.

Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clarão maior que o tolerável

pelas pupilas gastas na inspeção
contínua e dolorosa do deserto,
e pela mente exausta de mentar

toda uma realidade que transcende
a própria imagem sua debuxada
no rosto do mistério, nos abismos.

Abriu-se em calma pura, e convidando
quantos sentidos e intuições restavam
a quem de os ter usado os já perdera

e nem desejaria recobrá-los,
se em vão e para sempre repetimos
os mesmos sem roteiro tristes périplos,

convidando-os a todos, em coorte,
a se aplicarem sobre o pasto inédito
da natureza mítica das coisas,

assim me disse, embora voz alguma
ou sopro ou eco o simples percussão
atestasse que alguém, sobre a montanha,

a outro alguém, noturno e miserável,
em colóquio se estava dirigindo:
"O que procuraste em ti ou fora de

teu ser restrito e nunca se mostrou,
mesmo afetando dar-se ou se rendendo,
e a cada instante mais se retraindo,

olha, repara, ausculta: essa riqueza
sobrante a toda pérola, essa ciência
sublime e formidável, mas hermética,

essa total explicação da vida,
esse nexo primeiro e singular,
que nem concebes mais, pois tão esquivo

se revelou ante a pesquisa ardente
em que te consumiste... vê, contempla,
abre teu peito para agasalhá-lo."

As mais soberbas pontes e edifícios,
o que nas oficinas se elabora,
o que pensado foi e logo atinge

distância superior ao pensamento,
os recursos da terra dominados,
e as paixões e os impulsos e os tormentos

e tudo que define o ser terrestre
ou se prolonga até nos animais
e chega às plantas para se embeber

no sono rancoroso dos minérios,
dá volta ao mundo e torna a se engolfar
na estranha ordem geométrica de tudo,

e o absurdo original e seus enigmas,
suas verdades altas mais que tantos
monumentos erguidos à verdade;

e a memória dos deuses, e o solene
sentimento de morte, que floresce
no caule da existência mais gloriosa,

tudo se apresentou nesse relance
e me chamou para seu reino augusto,
afinal submetido à vista humana.

Mas, como eu relutasse em responder
a tal apelo assim maravilhoso,
pois a fé se abrandara, e mesmo o anseio,

a esperança mais mínima — esse anelo
de ver desvanecida a treva espessa
que entre os raios do sol inda se filtra;

como defuntas crenças convocadas
presto e fremente não se produzissem
a de novo tingir a neutra face

que vou pelos caminhos demonstrando,
e como se outro ser, não mais aquele
habitante de mim há tantos anos,

passasse a comandar minha vontade
que, já de si volúvel, se cerrava
semelhante a essas flores reticentes

em si mesmas abertas e fechadas;
como se um dom tardio já não fora
apetecível, antes despiciendo,

baixei os olhos, incurioso, lasso,
desdenhando colher a coisa oferta
que se abria gratuita a meu engenho.

A treva mais estrita já pousara
sobre a estrada de Minas, pedregosa,
e a máquina do mundo, repelida,

se foi miudamente recompondo,
enquanto eu, avaliando o que perdera,
seguia vagaroso, de mão pensas.

domingo, 25 de março de 2012

A pista não está para Brasileiros


Acompanho a Formula 1 a varios anos. Independete de qual piloto brasileiro se encontra atras daquele volante sempre torci para que os nossos brasucas tivessem sucesso. Mais a muito tempo a pista não é para os brasileiros. Depois dos tempos de Senna tivemos excelentes pilotos, mais vimos outros paises com o aparecimento de pilotos "fora de serie". Observando a qualidade dos nossos pilotos, temos um outros fatores que contribuem para um mal desempeho dos nossos pilotos sendo o principal deles a onda e negativa que assola os brasileiros. Apesar de toda a critica em cima dos nossos principais pilotos é inquestionavel a qualidade dos nossos últmos pilotos que assumiram os carros da Desetemida Ferrari.

Primeiramente tivemos o nosso Rubens que teve o azar de ser companheiro de Michael Shumacher, durante toda a sua estada na escuderia italiana, tanto é o seu reconhecimento que em pesquisa recente, torcedores italianos escolheram o brasileiro para substituir Massa na Ferrari. No caso de Felipe Massa podemos dividir a sua carreira em duas partes: A primeira antes do acidente sofrido no ano de 2009 - e a Segunda após o acidente de 2009. Não tenho duvida que na sua primeira etapa de carreira Felipe Massa se caminhava para ser o "fora de serie" que o Brasil espera, mais após o acidente Felipe se transformou em um piloto mediano. Os motivos para tal transformaão podemos alencar varios, varios também poderam ser as justificativas encontrada para devender amobs os lados. O certo é que não teremos alegrias brasileiras na Formula 1 nos proximos tempos.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Equipe da UnB consegue acessar votação de urna eletrônica

 

No entanto, TSE diz que isso não significa a violação do voto eletrônico, já que eles não obtiveram a lista de eleitores.

Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB), conseguiu quebrar a criptografia que protege a sequência de votos (Registro Digital do Voto - RDV) durante os testes realizados pelo Superior Tribunal Eleitoral esta semana em Brasília.

O feito da equipe da UnB foi descobrir a sequência dos votos – leitor 1 votou no candidato A, o 2 no B, e aí por diante. No entanto, o ataque não conseguiu relacionar o nome dos eleitores com os votos digitados na urna – isso exigiria o acesso à lista dos eleitores naquela seção eleitoral e a ordem de votação.

De acordo com o TSE, isso não significa a violação do sigilo do voto eletrônico. Para o secretário de TI do órgão, Giuseppe Janino, "é uma contribuição extremamente positiva, algo que nós já esperávamos”.

De acordo com o secretário de TI do TSE, o RDV é uma lista emitida após o processo de votação e apuração. Ele serve para partidos políticos e outros interessados em caso de uma eventual recontagem dos votos. A emissão do registro é um processo posterior, à parte do sistema de totalização dos votos. É como se uma urna de lona, com votos em papel, já totalmente apurada, fosse repassada aos partidos políticos para que fossem recontados os votos.

Os votos digitados na urna são gravados de forma aleatória, usando um algoritmo. O time equipe da UnB conseguiu, a partir do RDV, refazer a ordem com que os votos foram digitados, mas não conseguiu ligar os votos aos eleitores. O problema é que, em um curral eleitoral, isso pode potencialmente identificar o eleitor, se o candidato controlar a ordem de entrada deles na seção eleitoral.

Janino lembra que o ataque só foi possível porque os participantes dos testes tiveram acesso ao código-fonte de todos os softwares executados pela urna, algo que, em uma eleição normal, não ocorre.

*com informações do TSE

terça-feira, 20 de março de 2012

Pela primeira vez, Maria Rita canta Elis Regina e se emociona

Nessa segunda-feira (20), o show “Viva Elis” deu início a uma série de eventos em homenagem aos 30 anos da morte da cantora

Da semelhança do timbre a lembrança da maneira de interpretar. Desde que se lançou como cantora, Maria Rita teve de lidar com as inúmeras comparações com a mãe, Elis Regina (1945-1982). Uma responsabilidade imensa já que esta fora considerada uma das maiores intérpretes brasileiras. Aos 24 anos, quando estava lançando o seu primeiro CD, Maria Rita disse que sempre teve a consciência de ser a única filha mulher de uma grande cantora. Por isso não tinha pretensões de cantar músicas do repertório da mãe.

Foto: Alex Palarea e Roberto Filho/Ag News

Maria Rita falou da saudade que sente da mãe: "toda vez que falo nela, me emociono"

Dez anos depois, as comparações não se extinguiram. Mas Maria Rita aceitou o desafio e subiu, nessa segunda-feira (19), no palco do Vivo Rio, no Rio de Janeiro, para o primeiro de uma série de shows cantando músicas gravadas por Elis. “As pessoas sempre me perguntam por que demorei tanto para cantar músicas da minha mãe. Toda vez que falo nela, me emociono. Mãe é mãe, né? Dá saudade”, disse ela, vestindo um macacão branco com uma capa esvoaçante.

Em duas horas de apresentação, Maria Rita mostrou que as comparações tinham fundamento. Em nenhum momento ela tentou se passar pela mãe, mas era visível a homenagem aos gestuais, timbres e firulas de Elis. Em canções como “Águas de Março”, de Tom Jobim, e “Alô Alô Marciano”, de Rita Lee, isso ficou mais evidente. “Obrigada por virem de coração aberto e entender que isso é apenas uma homenagem”, agradeceu a cantora.

E ela não se fez de rogada. Logo no início da apresentação, Maria Rita cantou músicas consagradas pela voz de Elis como “Arrastão”, de Vinicius de Moraes e Edu Lobo, e “Como nossos pais”, de Belchior. Outros compositores também foram homenageados. Chico Buarque foi lembrado em “Tatuagem” e, um bloco inteiro do show foi dedicado a Milton Nascimento. “Morro Velho”, “O que foi feito” e “Maria Maria” foram interpretadas pela primeira vez por Maria Rita.

De filha para mãe

As lágrimas de emoção, já eram esperadas. Tanto que virou até brincadeira entre os músicos nos bastidores. “Fizemos um bolão para ver quando eu ia chorar. Eu já perdi porque pensei que seria na primeira música. Vamos ver até onde consigo durar”, brincou ela.

Foi só na metade do show, ao interpretar “Se eu quiser falar com Deus” que Maria Rita teve de prender o choro. “Quando eu escuto essa música, fico imaginando como seriam as minhas conversas com a minha mãe. Que tipo de lição ela me daria ou que tipo de bronca. Tenho a impressão que seríamos grandes amigas”, falou Maria Rita, que perdeu a mãe aos quatro anos.

As quase trinta músicas do repertório respeitam os arranjos originais. No entanto, apresentam uma pegada mais moderna. O público, formada por convidados e celebridades, foi o único ponto negativo da noite. Em um espetáculo onde a carga emocional era grande, a plateia respondia de forma fria. Maria Rita teve de pedir algumas vezes para ser acompanhada por coros e palmas.

O que não deve acontecer nas próximas apresentações do show “Viva Elis”, já que será um evento gratuito e em locais públicos. A turnê passará por Porto Alegre (24/03); Recife (01/04), Belo Horizonte (08/04), São Paulo (22/04) e Rio de Janeiro (29/04). O projeto em homenagem aos 30 anos da morte de Elis, ainda conta com uma exposição itinerante e uma biografia organizada pelo jornalista Júlio Maria, que será lançada no segundo semestre

domingo, 4 de março de 2012

Ternura


Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor
seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentando
Pela graça indizível
dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura
dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer
que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas
nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras
dos véus da alma...
É um sossego, uma unção,
um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta,
muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite
encontrem sem fatalidade
o olhar estático da aurora.

Vinícius de Moraes

sábado, 25 de fevereiro de 2012

"O Artista" domina "Oscar do cinema independente"

 

"O Artista" confirmou o favoritismo imbatível desta temporada de prêmios e ganhou nas principais categorias do Spirit Awards, considerado o Oscar do cinema independente, nesta tarde de sábado em Santa Mônica, praia de Los Angeles.

O longa-metragem francês rodado nos EUA, que é mudo e todo em preto e branco, ficou com o troféu de melhor filme, direção (Michel Hazanavicius), fotografia (Guillaume Schiffman) e ator (Jean Dujardin, que não estava presente).

Outros favoritos do Oscar também receberam prêmios: o prêmio de melhor roteiro foi para "Os Descendentes" (bateu "O Artista"), o de filme estrangeiro para "A Separação" e Christopher Plummer ganhou como ator coadjuvante por "Toda Forma de Amor".

Shailene Woodley, 20, ganhou de Jessica Chastain ("O Abrigo", concorrente do Oscar) e Anjelica Huston ("50%") na categoria atriz coadjuvante pelo papel de filha rebelde de George Clooney em "Os Descendentes".

"Sete Dias com Marilyn" valeu prêmio de melhor atriz para Michelle Williams, que disputa o Oscar amanhã.

Na categoria documentário, venceu "The Interrupters", de Steve James, sobre violência em Chicago.

Ao contrário do Oscar, o Spirit Awards tem as categorias melhor primeiro filme e roteiro de estreia: "Margin Call - O Dia Antes do Fim" e "50%" ganharam, respectivamente.

O troféu John Cassavetes, para trabalhos feitos com menos de US$ 500 mil, ficou com "Pariah".

O comediante Seth Rogen foi o apresentador da noite, com piadas arriscadas, mas que rederam boas risadas da plateia. "'Drive' faz com que os judeus pareçam tão assustadores que eu pensei que Mel Gibson tivesse dirigido", disse o ator.

Ele também atua num dos filmes indicados ao Spirit Awards, "50%", sobre um jovem com câncer. O longa levou prêmio de melhor roteiro de estreia para Will Reiser, que escreveu baseado em sua história pessoal.

O Spirit Awards foi criado em 1984 e é considerado o Oscar do cinema independente por premiar filmes americanos, ou sobre a cultura americana, feitos com menos de US$ 20 milhões (cerca de R$ 36 milhões). Em 2011, "Cisne Negro" foi o grande vencedor, com os prêmios de melhor filme, diretor, fotografia e atriz para Natalie Portman.

Divulgação

"O Artista" (foto) foi o grande vencedor do Spirit Awards, Oscar do cinema independente norte-americano

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

O desafio da inovação

 

O crescimento do desemprego e a disparidade de renda abalaram democracias em todo o mundo ocidental no ano passado. O desemprego entre os jovens, em particular, foi persistente e abrangente --os Estados Unidos tiveram o maior desemprego de jovens em 2011, e ele alcançou 45% na Espanha. A criação de empregos sofreu não apenas por causa do excesso de dívida. Economias avançadas viram uma maciça erosão na manufatura, e as novas empresas se concentraram demais em promover o consumo.

As companhias de internet brotaram no Vale do Silício graças ao baixo custo e à facilidade de criar produtos para a web. Elas conseguem ter uma escala global enquanto mantêm uma folha de funcionários relativamente baixa. O ano de 2011 foi um marco para as empresas da internet, e várias novatas abriram seu capital, levantando mais de US$ 3,5 bilhões no melhor ano de ofertas públicas iniciais desde 2000. Entre elas, LinkedIn, Zynga, Groupon e Renren, uma rede social chinesa. E o Facebook recentemente protocolou uma oferta inicial de ações no montante de US$ 5 bilhões.

No entanto, essas empresas prosperam incentivando o consumo, seja através de jogos, de redes sociais ou de compras em grupo com desconto.

Em comparação, os setores tecnológicos voltados para a produção em tratamentos de saúde, materiais avançados e energia tiveram sucesso limitado nos EUA. A maioria dos investimentos em tecnologia limpa absorveu capital e ainda não deu retornos aos investidores. Muitos que conseguiram crescer ainda não são muito rentáveis. O sucesso das novas empresas da internet voltadas para o consumo deixou para trás os investimentos em produção.

Ruth Fremson/The New York Times

Jornalistas falam em Nova Déli; em alguns países, os celulares tornaram a falta de telefones fixos irrelevante

Jornalistas falam em Nova Déli; em alguns países, os celulares tornaram a falta de telefones fixos irrelevante

É a tecnologia que garante um crescimento equitativo. Pense nos telefones celulares: existem mais de 5 bilhões de usuários em todo o mundo.

Seria possível que todos eles tivessem linhas fixas, em vez disso? Haveria cobre suficiente no mundo para estender cabos até os trabalhadores mais pobres da Índia e da China que hoje usam celulares? E ele poderia ser extraído com rapidez suficiente e impacto ambiental limitado, e poderia ser usado para estender linhas a consumidores de poucas posses? Quase todas as conveniências modernas que o Ocidente considera normais terão de sofrer reengenharia para se tornarem mais baratas e melhores para uso em grande escala no mundo em desenvolvimento.

Existe uma dicotomia aqui. As economias avançadas do Ocidente não conseguem gerar empregos em parte devido à sua incapacidade de competir com a Ásia na manufatura em larga escala, e isso, por sua vez, limitou sua capacidade de escalar companhias tecnológicas voltadas para a produção.

No Oriente, o surgimento da manufatura --e, no caso da Índia, a terceirização de tecnologia da informação-- criou rendas mais altas, uma forte cultura de consumo e a necessidade de eficiência energética e de recursos. A rápida urbanização e industrialização no mundo em desenvolvimento é uma tendência irreversível. De repente, existem bilhões de consumidores na Ásia que podem aspirar ao padrão de vida das economias avançadas, e suprir essa demanda exigirá um salto gigantesco de inovação em setores como energia, química, saúde, transporte e água.

Mas os mercados emergentes estão atrasados em inovação porque seu ecossistema de empreendedorismo, instituições de educação superiores e infraestrutura de pesquisa são muito menos robustos. Principalmente, o empreendedorismo é celebrado na cultura americana. O Vale do Silício é o produto dessa cultura. Como locomotiva de inovação do mundo, o Vale do Silício deveria abrir caminho na comercialização de tecnologias revolucionárias capazes de reduzir as restrições aos recursos mundiais e reforçar a produção.

Mas as novatas devem estar perto de seus clientes, e pode-se argumentar que as novatas industriais e de tecnologia limpa do Vale do Silício foram impelidas ao sucesso porque seus verdadeiros clientes estão nos mercados emergentes. De um ponto de vista econômico, a mudança climática e a eficiência dos recursos são mais problemáticos para os países em desenvolvimento. Além disso, como demonstrou a falência de novas empresas de energia limpa americanas, a inovação que precisa ser apoiada pelos governos é difícil de sustentar.

De maneira semelhante, empreendimentos de internet ao consumidor em mercados emergentes só são capazes de copiar desajeitadamente as ideias do exterior. Embora exista uma classe média em rápido crescimento com acesso à internet na Índia e na China, os EUA ainda têm a maior e mais rica base de consumidores, o que o torna um pioneiro natural para a inovação na internet de consumo.

A internet está desafiando a hegemonia das nações. Uma nova empresa de internet em qualquer país pode alcançar consumidores em todo o mundo. Porém, o mesmo não é verdade para os empreendimentos focados na produção. A maior integração econômica os ajudarão a se globalizar mais. Para promover a inovação em setores voltados para a produção, os países precisam promover um fluxo mais livre de tecnologia, mão de obra e capital e criar instituições e leis que promovam a mesma abertura. Precisa haver uma simbiose entre talento empresarial, capital de investimento e setores que precisam de inovação transformadora. Somente então o crescimento econômico global será inclusivo e harmonioso.

RAJEEV MANTRI é presidente da firma de capital de risco Navam Capital e cofundador da Vyome Biosciences. Envie comentários para intelligence@nytimes.com.