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terça-feira, 20 de março de 2012

Pela primeira vez, Maria Rita canta Elis Regina e se emociona

Nessa segunda-feira (20), o show “Viva Elis” deu início a uma série de eventos em homenagem aos 30 anos da morte da cantora

Da semelhança do timbre a lembrança da maneira de interpretar. Desde que se lançou como cantora, Maria Rita teve de lidar com as inúmeras comparações com a mãe, Elis Regina (1945-1982). Uma responsabilidade imensa já que esta fora considerada uma das maiores intérpretes brasileiras. Aos 24 anos, quando estava lançando o seu primeiro CD, Maria Rita disse que sempre teve a consciência de ser a única filha mulher de uma grande cantora. Por isso não tinha pretensões de cantar músicas do repertório da mãe.

Foto: Alex Palarea e Roberto Filho/Ag News

Maria Rita falou da saudade que sente da mãe: "toda vez que falo nela, me emociono"

Dez anos depois, as comparações não se extinguiram. Mas Maria Rita aceitou o desafio e subiu, nessa segunda-feira (19), no palco do Vivo Rio, no Rio de Janeiro, para o primeiro de uma série de shows cantando músicas gravadas por Elis. “As pessoas sempre me perguntam por que demorei tanto para cantar músicas da minha mãe. Toda vez que falo nela, me emociono. Mãe é mãe, né? Dá saudade”, disse ela, vestindo um macacão branco com uma capa esvoaçante.

Em duas horas de apresentação, Maria Rita mostrou que as comparações tinham fundamento. Em nenhum momento ela tentou se passar pela mãe, mas era visível a homenagem aos gestuais, timbres e firulas de Elis. Em canções como “Águas de Março”, de Tom Jobim, e “Alô Alô Marciano”, de Rita Lee, isso ficou mais evidente. “Obrigada por virem de coração aberto e entender que isso é apenas uma homenagem”, agradeceu a cantora.

E ela não se fez de rogada. Logo no início da apresentação, Maria Rita cantou músicas consagradas pela voz de Elis como “Arrastão”, de Vinicius de Moraes e Edu Lobo, e “Como nossos pais”, de Belchior. Outros compositores também foram homenageados. Chico Buarque foi lembrado em “Tatuagem” e, um bloco inteiro do show foi dedicado a Milton Nascimento. “Morro Velho”, “O que foi feito” e “Maria Maria” foram interpretadas pela primeira vez por Maria Rita.

De filha para mãe

As lágrimas de emoção, já eram esperadas. Tanto que virou até brincadeira entre os músicos nos bastidores. “Fizemos um bolão para ver quando eu ia chorar. Eu já perdi porque pensei que seria na primeira música. Vamos ver até onde consigo durar”, brincou ela.

Foi só na metade do show, ao interpretar “Se eu quiser falar com Deus” que Maria Rita teve de prender o choro. “Quando eu escuto essa música, fico imaginando como seriam as minhas conversas com a minha mãe. Que tipo de lição ela me daria ou que tipo de bronca. Tenho a impressão que seríamos grandes amigas”, falou Maria Rita, que perdeu a mãe aos quatro anos.

As quase trinta músicas do repertório respeitam os arranjos originais. No entanto, apresentam uma pegada mais moderna. O público, formada por convidados e celebridades, foi o único ponto negativo da noite. Em um espetáculo onde a carga emocional era grande, a plateia respondia de forma fria. Maria Rita teve de pedir algumas vezes para ser acompanhada por coros e palmas.

O que não deve acontecer nas próximas apresentações do show “Viva Elis”, já que será um evento gratuito e em locais públicos. A turnê passará por Porto Alegre (24/03); Recife (01/04), Belo Horizonte (08/04), São Paulo (22/04) e Rio de Janeiro (29/04). O projeto em homenagem aos 30 anos da morte de Elis, ainda conta com uma exposição itinerante e uma biografia organizada pelo jornalista Júlio Maria, que será lançada no segundo semestre

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Há 15 anos, música brasileira perdia Chico Science

Há exatos 15 anos, no dia 2 de fevereiro de 1997, se calava uma das vozes mais brilhantes da música brasileira. Enquanto dirigia de Olinda para Recife, Chico Sciente, que liderava o grupo Nação Zumbi, perdeu o controle do Fiat Uno que dirigia, se chocou contra um poste e morreu, aos 30 anos.
Porém, os pouco mais de sete anos em que esteve na ativa foram suficientes para que Francisco de Assis França, como era seu nome de batismo, causasse uma revolução na música brasileira e recolocasse Pernambuco no mapa cultural do país.

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O início da virada começou quando, junto com Fred Zero Quatro, da banda Mundo Livre S/A, lançou o manifesto Caranguejos com cérebro. O texto foi o pontapé inicial do movimento manguebeat, que misturava ritmos regionais como o maracatu ao rock e a música eletrônica. A iniciativa chamou não só a atenção de gravadoras como a Sony e a Virgin, como do Brasil inteiro.
A banda que mais se destacou foi a Nação Zumbi. O grupo fez três shows em Belo Horizonte e São Paulo e se projetou para a mídia nacional. Lançado em 1994, Da lama ao caos até hoje é exaltado como um dos melhores discos brasileiros de todos os tempos e projetou o grupo. O álbum trazia músicas como Samba Makossa, Rios, pontes & overdrives, A cidade e a faixa que lhe deu título. Logo Chico Science era o porta-voz de toda uma geração e um dos responsáveis por renovar o rock nacional, junto de bandas como Planet Hemp, Raimundos, Skank e O Rappa.
Afrociberdelia, de 1996, trouxe Manguetown, Macô e Maracatu atômico  e levou a Nação Zumbi a excursionar pelo país. Mas Chico aproveitou pouco o sucesso de seu segundo rebento, lançado em junho, já que, cerca de sete meses depois, aconteceu o acidente que lhe tirou a vida.


LEGADO


A morte de Chico Science, claro, enfraqueceu bastante a cena musical do Recife. Sem seu rosto mais conhecido, as bandas pernambucanas enfrentaram dificuldades e chegou até a se cogitar o fim da Nação Zumbi.
Mas a banda resistiu à morte do seu líder, promoveu Jorge du Peixe para o vocal e segue na ativa, fazendo shows e lançando bons discos, como Rádio S.Amb.A., de 2000 e Fome de Tudo, de 2007. O Mundo Livre S/A também continua produtivo e lançou em 2011 o disco Novas Lendas da Etnia Toshi Babaa. O grupo perdeu em 1996 o percussionista Otto, que se lançou em carreira solo e tem um trabalho relevante, lançando em 2009 o álbum Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos.


E bandas como Mombojó, Eddie, Nuda e Cordel do Fogo Encantado e artistas como China, Lirinha e Karina Buhr fecham a conta do legado de Chico Science.  Com público no Brasil inteiro, carreiras sólidas e relevância musical, estre grupos comprovam que o som feito em Pernambuco continua forte e que a missão de abrir caminhos rumo ao resto do país foi cumprida com louvor por Chico Science.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

100 Anos de Mario Lago

 

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Mário Lago nasceu no bairro da Lapa, berço da boemia carioca, no dia 26 de novembro de 1911. Viveu a época de ouro do samba e do florescimento da cultura popular brasileira no início do século XX. Foi ator, escritor, jornalista, compositor, dramaturgo, poeta e militante político. Um homem de vários atos.

Teatro e Televisão
Ao mesmo tempo em que se dedicava à música e ao rádio, Mário Lago também assumiu sua vocação de artista popular ao escrever para o teatro de revista. De acordo com a historiadora Monica Velloso, as peças de Mário eram consideradas "popularescas" e de "baixo nível" por causa do seu conteúdo cômico e improvisado, em uma época em que a rígida crítica teatral distinguia o teatro "sério e erudito" do teatro "baixo e popular". Mário escreveu cerca de 40 peças entre os anos 1930 e 1970. Na década de 1960, ele levou suas experiências no teatro e no rádio para a televisão.
Sua estreia ocorreu em 1963, na série "Nuvem de Fogo" em 1966, Mário Lago fez sua primeira novela, "Sheik de Agadir" da Rede Globo. Entre novelas, séries e minisséries, Mário participou de mais de 90 produções para TV. Sua última atuação foi na novela "O Clone", da TV Globo em 2001.

Música
Oriundo de uma família de músicos, Mário Lago teve contato com a música ainda na infância, durante as aulas de piano com Lucília Villa-Lobos. Mas na adolescência, abandonou os instrumentos clássicos para se dedicar ao samba. Assim como Noel Rosa, Ari Barroso e João de Barro, Mário faria parte de um grupo de jovens de classe média do Rio de Janeiro a formar parcerias com músicos populares. Entre as décadas de 1920 e 1930, passou a compor sambas e marchinhas de carnaval, como "Aurora" e "Ai, que saudades da Amélia", famosas até hoje.
Segundo Monica Velloso, autora da biografia "Mário Lago: boemia e política", Mário costumava dizer que se inspirava na vida, na boemia e na sua amizade com as prostitutas, verdadeiras contadoras de histórias. As prostitutas representavam a arte "de saber viver a vida". A partir da década de 1940, o jovem músico começou a trabalhar como ator e produtor de rádio. Foi roteirista da radionovela "Presídio de Mulheres", sucesso de audiência da Rádio Nacional na década de 1950.

Cinema
Além do rádio, do teatro e da TV, Mário Lago também se aventurou no cinema, atuando e escrevendo em várias produções entre as décadas de 190 e 1980. Apesar do currículo extenso nas telonas, o cinema não era uma das suas áreas preferidas. Conta a historiadora Monica Velloso: "Em uma de nossas entrevistas para a biografia, Mário disse certa vez que gostava mais de fazer TV, pois cinema tinha ritmo muito lento. Além de atuar, outra grande paixão dele era a música."
Mário Lago atuou em filmes como "Terra em Transe", de Glauber Rocha (1967), "O Padre e a Moça", de Joaquim Pedro de Andrade (1966) e "São Bernardo", de Leon Hirszman (1972).


Literatura
Mário Lago gostava de dedicar parte do seu tempo à literatura. O primeiro livro, "O Povo Escreve a História nas Paredes", de 1948, reunia poemas de cunho político e histórico. Durante a vida, Mário escreveria outros 11 livros, a maioria como tema principal a memória. "O Mário não se limitava a contar as próprias lembranças. Ele gostava de escrever sobre as memórias do seu país e da sua cidade, o Rio de Janeiro". revela Monica Velloso.


Atuação Política
Além da arte, Mário Lago vivia em intensa atividade política. Durante a época da faculdade, na década de 1930 (ele se formou em Direito, mas nunca exerceu a profissão) aproximou-se do Partido Comunista.
Em 1957, chegou a viajar para a União Soviética a convite da Rádio Moscou. No entanto, esse vínculo lhe rendeu algumas prisões durante o governo de Getúlio Vargas e na ditadura militar.
Segundo Monica Velloso, Mário "sobreviveu" a duas ditaduras porque ele 'interpretava' o tempo todo. "Ele contava que, graças as suas habilidades artísticas, era bem sucedido nos interrogatórios promovidos pelos militares. Foi o seu talento de ator e sua rapidez ao responder as perguntas que o salvaram dos momentos difíceis", revela a historiadora. Mário Lago atuou em várias campanhas políticas, como as Diretas Já. Com a volta da democracia no fim da década de 1980, passou a apoiar o PT nas eleições.
estadão.com.br