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domingo, 29 de maio de 2011
Frases para refletir
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Jardim de Infância
DURAÇÃO DE UMA RAINHA
Quantos presidentes dura uma rainha?
Obama
Bush
Clinton
Bush (pai)
Reagan
Carter
Ford
Nixon
Kennedy
Eisenhower
Truman
--
Roseli Grecco
terça-feira, 24 de maio de 2011
Pensado Comigo Mesmo
a tristeza é mesmo uma invenção da alegria
uma maneira em forma de lágrima
de reciclar o coração
um arrepio gelado
pedindo proteção deperto
mas o que isso nos fala
é luz pequena das grandes somas
deque outros sonhos haverão de passar
outra pedra combrilho de ouro
nos caberá
poema extraido do livro”Poesia de Bolso CLESI” Circuito de Literatura
segunda-feira, 23 de maio de 2011
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Amazônia perde 593km quadrados em março/abril

O desmatamento na Amazônia subiu para 593 quilômetros quadrados em março e abril deste ano, na comparação com os mesmos meses do ano passado, e o Mato Grosso foi o Estado que mais contribuiu para a perda da floresta com 480,3 quilômetros quadrados de área desmatada, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
O alerta sobre o avanço do desmatamento ocorre no momento em que o projeto que altera o Código Florestal aguarda para ser votado na Câmara dos Deputados. A votação do texto já foi adiada três vezes por falta de consenso entre governo, o relator, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), e parlamentares.
O desmatamento da Amazônia, floresta vital para as pretensões brasileiras de protagonismo na área ambiental e nas negociações internacionais sobre as mudanças do clima, registrou grande aceleração em abril na comparação com março, segundo os números do Inpe, indo de 115,6 quilômetros quadrados, para 477,4 quilômetros quadrados de um mês para o outro.
– Esses dados têm um efeito muito ruim para o Brasil no cenário internacional, por conta dos compromissos assumidos pelo país na COP-15 –, disse o responsável pela Campanha de Florestas do Greenpeace, Márcio Astrini.
O ambientalista se referiu à conferência sobre mudanças climáticas na qual o Brasil apresentou um compromisso voluntário de reduzir emissões de gases causadores do efeito estufa, o que inclui reduzir o desmatamento.
Para ele, a possibilidade de aprovação do novo Código Florestal explica a alta no desmatamento. “O crescimento do desmatamento tem toda a relação (com a discussão do projeto que altera o Código Florestal). Por eliminação, é a única razão que explica o aumento do desmatamento”, disse.
Para ele, o relatório de Rebelo anistia proprietários rurais irregulares e incentiva o desmatamento ao suspender embargos a quem desmatou ilegalmente.
A reforma do texto do código pode trazer mudanças nas Áreas de Preservação Permanente (APPs) e na Reserva Legal, partes das propriedades que têm de ser mantidas intactas, sem a destinação para atividades econômicas.
Embora o Inpe desaconselhe comparações com os mesmos meses dos anos anteriores, por conta da diferença na cobertura de nuvens entre os períodos, para se ter uma ideia, entre março e abril do ano passado foi detectado um desmatamento de 103,5 quilômetros quadrados na Amazônia.
Ou seja, o número aferido pelo Inpe em março e abril deste ano, representa um salto de 472,9% na comparação com o ano anterior.
Em Mato Grosso, principal produtor de soja e algodão do país e que abriga o maior rebanho bovino do Brasil, o desmatamento detectado pelo sistema Deter, do Inpe, saltou de 76,4 quilômetros quadrados em março e abril do ano passado, para 477,4 quilômetros no mesmo período deste ano.
Na terça-feira, o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) divulgou um alerta sobre a escalada do desmatamento em Mato Grosso em abril deste ano.
De acordo com a organização não-governamental, que usa um sistema de detecção de desmatamento diferente do usado pelo Inpe, o desmatamento no Estado somou 243 quilômetros quadrados, saltando 537 por cento na comparação com o mesmo mês de 2010.
Após a divulgação do alerta do Imazon, a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), que também é a presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), foi à tribuna do Senado e acusou o Imazon de divulgar dados inverídicos sobre o desmatamento na Amazônia.
A senadora, que está de saída do DEM rumo ao PSD, lançado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, afirmou que com a divulgação de dados não-verdadeiros, o Imazon causaria “terrorismo à população brasileira”, segundo a Agência Senado.
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Manobra na Assembleia evita críticas ao Governo Anastasia
Com 28 deputados em plenário, o deputado Inácio Franco(PV), que presidia a reunião ordinária no Plenário da Assembleia Legislativa, na utima quinta, 12/5, encerrou a reunião logo após a leitura da nota oficial do Executivo sobre o pagamento dos direitos trabalhistas dos 7.000 funcionários contratados da Fundação Hospitalar de Minas Gerais.
Corrupção no IEF movimentou milhões na gestão tucana
O quórum mínimo regimental para discussão é de 26 deputados e não houve qualquer esforço para a continuidade dos trabalhos.
O deputado e presidente da Comissão de Saúde, Carlos Mosconi(PSDB), leu a nota oficial do governador Anastasia e solicitou encerramento da reunião. Apesar do protesto dos deputados do Bloco Minas Sem Censura e do quórum existente para o debate, a reunião foi encerrada. A manobra da base do governo teve objetivo de evitar que os deputados da Oposição ocupassem a tribuna para criticar as más condições da Saúde no Estado e a denúncia veiculada na imprensa de golpe milionário montado dentro do Instituto Estadual de Florestas – IEF, durante o governo Aécio Neves, coordenado pelo homem de confiança do então governador – Humberto Candeias.
Em nota, os deputados do Bloco Minas Sem Censura repudiaram a “truculência tucana” na Assembleia Legislativa e criticaram o cerceamento do debate e da livre informação que repercutiria pela TV Assembleia e veículos de imprensa presentes. E avisaram “O Minas Sem Censura avançará na apuração desses e de outros fatos de corrupção envolvendo o governo tucano, e ficará vigilante no funcionamento da própria ALMG.”
Leia a íntegra da nota do Bloco Minas Sem Censura
TRUCULÊNCIA TUCANA NA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DE MINAS GERAIS:
ESCÂNDALO DO IEF DERRUBA SESSÃO DESTA QUINTA
O bloco Minas Sem Censura vem a público repudiar a atitude da base do governo Anastasia na ALMG, que impediu a continuidade dos trabalhos da sessão legislativa ordinária, desta quinta-feira, dia 12 de maio de 2011, após a leitura de uma nota do governo estadual acerca das questões da saúde em Minas Gerais.
O encerramento “de plano” da reunião, sem qualquer esforço de verificação e recomposição de quórum, além de ser um desrespeito ao povo de Minas e um escárnio com o dinheiro público, representa uma indisfarçável manobra para evitar que temas delicados fossem tratados no decorrer da sessão.
O principal deles é a denúncia veiculada na imprensa acerca do golpe de milhões de Reais, armado dentro do Instituto Estadual de Florestas - IEF, durante o governo Aécio Neves, coordenado pelo homem de confiança do então governador – Humberto Candeias.
Só nas contas pessoais dos envolvidos passaram cerca de 10 milhões de Reais! No entanto, pelas gravações telefônicas, feitas com autorização judicial, essas cifras se mostram muito mais polpudas. Segundo fontes que devem ser mantidas em sigilo, as gravações revelam também nomes do primeiro escalão do governo Aécio, que seriam beneficiários do citado esquema.
Assim, o MSC associa a suspensão da sessão ordinária nesta quinta-feira, na ALMG, a mais uma ação de cerceamento do debate e da livre informação que repercutiria pela TV Assembleia e em boa parte dos veículos de imprensa presentes. Impossibilitados de segurar o “fato jornalístico”, que é o escândalo do IEF, a base tucana, sob a determinação direta do Secretário Danilo de Castro, que demonstrou interesse pessoal para que não se realizasse a sessão, simplesmente suspendeu os trabalhos.
Num momento em que a sociedade e a própria imprensa cobram mais trabalho e mais efetividade do parlamento estadual, deputados da base tucana preferem arcar com o desgaste de “derrubar” os trabalhos legislativos, tudo em nome de blindar autoridades do primeiro escalão do referido governo.
O MSC avançará na apuração desses e de outros fatos de corrupção envolvendo o governo tucano, e ficará vigilante no funcionamento da própria ALMG.
Fonte Portal Vermelho
Montes Claros na luta contra exploração de crianças e adolescentes
A Prefeitura de Montes Claros promove até quinta-feira (19), através do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social uma série de ações de mobilização e conscientização para marcar o Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, e da Luta Anti manicomial.
Karla Silveira de Souza Lima, coordenadora do CREAS, informa que o evento é realizado todos os anos, sendo que em 2011conta com parceria do setor de saúde mental em trabalho que será feito quarta-feira, 18, na Praça Doutor Carlos, das 8 às 12 horas. Conforme Karla Silveira, o objetivo é estimular a população a denunciar abusos contra crianças e adolescentes.
Programação
Os trabalhos serão abertos nesta terça-feira (17), no Auditório das Faculdades Integradas Pitágoras (FIP – Avenida Corrêa Machado, no Bairro Ibituruna), a partir das 9h30, com Psicocine e o filme “Preciosa”. Os comentários serão de Carlos André, Valéria Volker e Geovanna Ludmilla Caribé. Quarta-feira (18), Exposição de Serviços e Trabalhos - Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes e Saúde Mental. Será na Praça Doutor Carlos, das 9 ás 12 horas. Quinta-feira (19), Blitz Educativa no Pátio da Policia Rodoviária Federal (PRF), na BR-135, saída para Belo Horizonte.
terça-feira, 17 de maio de 2011
Morte de Bin Laden pode abrir precedente internacional, diz relatório britânico
Bin Laden estaria desarmado quando foi atacado por forças americanas
A morte de Osama Bin Laden pode abrir um precedente para assassinatos cometidos por Estados no futuro, sugere um relatório escrito por parlamentares britânicos.
De acordo com o documento, "a natureza do assassinato de Bin Laden pode ser sinal de que os EUA teriam tendência cada vez maior de matar membros da Al-Qaeda do que capturá-los".
"Uma implicação maior é que a morte possa ser vista como precedente para o assassinato de indivíduos por qualquer país, além de fronteiras nacionais, pelo menos quando envolver terrorismo."
Preparado pela Câmara dos Comuns - a Câmara dos Deputados do Parlamento do Reino Unido -, o relatório diz ainda que “quanto mais Estados agirem assim, mais aceitável, pelo menos politicamente, se torna, mesmo que não o seja em termos das leis internacionais."
Khadafi
Os EUA dizem que a operação que matou Bin Laden foi legal, mas críticos dizem que ele deveria ter sido capturado vivo.
O relatório britânico diz que muitas das questões referentes à legalidade da operação só poderiam ser respondidas se o governo americano revelasse as instruções dadas para os agentes envolvidos, quais os esforços feitos para pressionar Bin Laden a se render e qual ameaça ele representava naquele momento.
Ao contrário da primeira versão divulgada pela Casa Branca, o governo americano disse posteriormente que Osama Bin Laden estava desarmado na hora do assassinato.
O relatório britânico diz ainda que a morte do líder da Al-Qaeda pode ter consequências nas operações da Otan na Líbia, já que "alguns dos argumentos usados para justificar a legalidade do assassinato de Bin Laden poderiam ser aplicados se as forças da coalizão matassem o coronel Khadafi."
Os integrantes da coalizão dizem que a resolução da ONU não os autoriza a alvejar o líder líbio, mas afirmam que instalações de comando, incluindo locais usados por Khadafi e sua família, são alvos legítimos se estes forem usados para dirigir ataques contra civis.
Fonte: BBC
Polêmica ou ignorância?
Marcos Bagno 17 de maio de 2011 às 9:47h
Carta Capital
Na semana passada, o site IG noticiou que o Ministério da Educação comprou e distribuiu, para 4.236 mil escolas públicas, um livro que “ensina o aluno a falar errado”. Os jornalistas Jorge Felix e Tales Faria - do Blog Poder On Line, hospedado no portal – se basearam em exemplos de um capítulo do livro Por Uma Vida Melhor para afirmar que, segundo os autores da coleção organizada pela ONG Ação Educativa, não há nenhum problema em se falar “nós pega o peixe” ou “os menino pega o peixe”. Calçaram sua tese no seguinte trecho de um capítulo que diferencia o uso da língua culta e da falada:”Você pode estar se perguntando: “Mas eu posso falar os livro?”. Claro que pode. Mas fique atento porque, dependendo da situação, você corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico”. O fato de haver outros capítulos, no mesmo livro, que propõem a leitura e discussão de obras de autores como Cervantes, Machado de Assis e Clarice Lispector e ensina modos de leitura, produção e revisão de textos não foi citado. Mas a discussão sobre como registrar as diferenças entre o discurso oral e o escrito esquentou, principalmente após o colunista da Folha de S. Paulo Clóvis Rossi vociferar, no último domingo, que tal livro é “criminoso”.
Veja abaixo a opinião do linguista Marcos Bagno, pesquisador dos temas relacionados às variações linguísticas e professor da Universidade de Brasília:
Para surpresa de ninguém, a coisa se repetiu. A grande imprensa brasileira mais uma vez exibiu sua ampla e larga ignorância a respeito do que se faz hoje no mundo acadêmico e no universo da educação no campo do ensino de língua.
Jornalistas desinformados abrem um livro didático, leem metade de meia página e saem falando coisas que depõem sempre muito mais contra eles mesmos do que eles mesmos pensam (se é que pensam nisso, prepotentemente convencidos que são, quase todos, de que detêm o absoluto poder da informação).
Polêmica? Por que polêmica, meus senhores e minhas senhoras? Já faz mais de quinze anos que os livros didáticos de língua portuguesa disponíveis no mercado e avaliados e aprovados pelo Ministério da Educação abordam o tema da variação linguística e do seu tratamento em sala de aula. Não é coisa de petista, fiquem tranquilas senhoras comentaristas políticas da televisão brasileira e seus colegas explanadores do óbvio.
Já no governo FHC, sob a gestão do ministro Paulo Renato, os livros didáticos de português avaliados pelo MEC começavam a abordar os fenômenos da variação linguística, o caráter inevitavelmente heterogêneo de qualquer língua viva falada no mundo, a mudança irreprimível que transformou, tem transformado, transforma e transformará qualquer idioma usado por uma comunidade humana. Somente com uma abordagem assim as alunas e os alunos provenientes das chamadas “classes populares” poderão se reconhecer no material didático e não se sentir alvo de zombaria e preconceito. E, é claro, com a chegada ao magistério de docentes provenientes cada vez mais dessas mesmas “classes populares”, esses mesmos profissionais entenderão que seu modo de falar, e o de seus aprendizes, não é feio, nem errado, nem tosco, é apenas uma língua diferente daquela — devidamente fossilizada e conservada em formol — que a tradição normativa tenta preservar a ferro e fogo, principalmente nos últimos tempos, com a chegada aos novos meios de comunicação de pseudoespecialistas que, amparados em tecnologias inovadoras, tentam vender um peixe gramatiqueiro para lá de podre.
Enquanto não se reconhecer a especificidade do português brasileiro dentro do conjunto de línguas derivadas do português quinhentista transplantadas para as colônias, enquanto não se reconhecer que o português brasileiro é uma língua em si, com gramática própria, diferente da do português europeu, teremos de conviver com essas situações no mínimo patéticas.
A principal característica dos discursos marcadamente ideologizados (sejam eles da direita ou da esquerda) é a impossibilidade de ver as coisas em perspectiva contínua, em redes complexas de elementos que se cruzam e entrecruzam, em ciclos constantes. Nesses discursos só existe o preto e o branco, o masculino e o feminino, o mocinho e o bandido, o certo e o errado e por aí vai.
Darwin nunca disse em nenhum lugar de seus escritos que “o homem vem do macaco”. Ele disse, sim, que humanos e demais primatas deviam ter se originado de um ancestral comum. Mas essa visão mais sofisticada não interessava ao fundamentalismo religioso que precisava de um lema distorcido como “o homem vem do macaco” para empreender sua campanha obscurantista, que permanece em voga até hoje (inclusive no discurso da candidata azul disfarçada de verde à presidência da República no ano passado).
Da mesma forma, nenhum linguista sério, brasileiro ou estrangeiro, jamais disse ou escreveu que os estudantes usuários de variedades linguísticas mais distantes das normas urbanas de prestígio deveriam permanecer ali, fechados em sua comunidade, em sua cultura e em sua língua. O que esses profissionais vêm tentando fazer as pessoas entenderem é que defender uma coisa não significa automaticamente combater a outra. Defender o respeito à variedade linguística dos estudantes não significa que não cabe à escola introduzi-los ao mundo da cultura letrada e aos discursos que ela aciona. Cabe à escola ensinar aos alunos o que eles não sabem! Parece óbvio, mas é preciso repetir isso a todo momento.
Não é preciso ensinar nenhum brasileiro a dizer “isso é para mim tomar?”, porque essa regra gramatical (sim, caros leigos, é uma regra gramatical) já faz parte da língua materna de 99% dos nossos compatriotas. O que é preciso ensinar é a forma “isso é para eu tomar?”, porque ela não faz parte da gramática da maioria dos falantes de português brasileiro, mas por ainda servir de arame farpado entre os que falam “certo” e os que falam “errado”, é dever da escola apresentar essa outra regra aos alunos, de modo que eles — se julgarem pertinente, adequado e necessário — possam vir a usá-la
TAMBÉM. O problema da ideologia purista é esse também. Seus defensores não conseguem admitir que tanto faz dizer assisti o filme quanto assisti ao filme, que a palavra óculos pode ser usada tanto no singular (o óculos, como dizem 101% dos brasileiros) quanto no plural (os óculos, como dizem dois ou três gatos pingados).
O mais divertido (para mim, pelo menos, talvez por um pouco de masoquismo) é ver os mesmos defensores da suposta “língua certa”, no exato momento em que a defendem, empregar regras linguísticas que a tradição normativa que eles acham que defendem rejeitaria imediatamente. Pois ontem, vendo o Jornal das Dez, da GloboNews, ouvi da boca do sr. Carlos Monforte essa deliciosa pergunta: “Como é que fica então as concordâncias?”. Ora, sr. Monforte, eu lhe devolvo a pergunta: “E as concordâncias, como é que ficam entã
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Amazônia: qual o código da nossa esquerda?
Enviado pelo professor Gilson Caroni Filho:
Equilíbrio ambiental e desenvolvimento sustentável são elementos indispensáveis para o futuro do país. Exigem do movimento ecológico uma reformulação radical que o torne matriz de uma nova esquerda. A Amazônia é um exemplo. Seu desmatamento é obra conjunta de latifundiários, grandes empresários e empresas mineradoras.
São os inimigos a serem confrontados prontamente. Será o Código Florestal a prova dos nove para o habitual transformismo que, vez por outra, visita forças do campo progressista? Ou talvez a inflexão de fundo seja de maior envergadura. É hora de a própria esquerda se livrar do imaginário herdado do padrão fordista e incorporar a luta pela preservação natural ao seu horizonte político. Fora disso, a palavra progressista torna-se um vocábulo vazio. Um atributo discutível para quem luta no campo democrático-popular. O ciclo da destruição das nossas florestas é sobejamente conhecido.
Desde a década de 1960, a grilagem vem sendo ampliada por intervenções como o estímulo à mineração e à expansão da pecuária e da lavoura monoculturista, a abertura ou o asfaltamento de estradas e outros projetos ditos de “povoamento” e, como agora, no caso de projetos de hidrelétricas do Rio Madeira, “desenvolvimento”. E isso desde o simples anúncio, quando tais iniciativas ainda estão no papel.
Todos nós já vimos tramas semelhantes em filmes de faroeste, em que os robber barons tratam de se apossar, por quaisquer meios, das terras por onde vai passar a ferrovia ou ser feita a represa.
Uma vez estabelecida a ocupação, tem início a retirada da madeira de maior valor comercial, destinada às carvoarias e às indústrias moveleira e de construção civil, etapa que pode levar várias estações de corte. Exauridos tais recursos, segue-se a “limpeza” da área, por meio de corte raso e queimada, e o preparo da terra para pastagem.
Quando a extração de madeira se esgota, entra o gado, tipicamente de corte. Em algum momento, a posse é esquentada por títulos falsificados de propriedade que, exatamente por serem falsos, e porque os registros e fiscalização são precários, geralmente não aparecem nas estatísticas oficiais, em que as áreas griladas continuam figurando como terras da União.
Ironicamente, essas “propriedades” serão usadas como garantia para a obtenção de empréstimos e financiamentos junto a bancos, tanto privados como oficiais, e a agências de fomento.
A substituição do gado pela soja ou por outras lavouras extensivas é determinada, mais que por qualquer outro fator, pela demanda por essas commodities e por seus preços relativos nos mercados internacionais, sobre os quais o Brasil não tem qualquer controle: são buyer markets, mercados de compradores. No caso da soja, vale lembrar que há sinergia com a pecuária, já que parte significativa da colheita vai para a produção de farelo empregado em rações animais.
Além disso, o ciclo se expande continuamente. Pois, enquanto a lavoura está entrando numa área, os grileiros e as motosserras estão abrindo novas “frentes de ocupação” em outra, para a qual o gado por sua vez se expandirá ou mesmo deslocará, pois é muito mais fácil deslocar reses do que vegetais.
Se deixada ao sabor do mercado, a floresta de ontem se converte no polo madeireiro de hoje, no pasto de amanhã, na lavoura extensiva de depois de amanhã e, em última instância, em deserto.
O solo característico da Floresta Amazônica, embora rico em elementos não orgânicos como ferro e alumínio, é extremamente pobre em nutrientes, e por si só jamais seria capaz de sustentar florestas. E, no entanto, a floresta está lá. Como? O que sustenta a floresta em pé é a própria floresta.
A decomposição dos detritos vegetais e animais depositados pela própria floresta sobre seu solo forma a “terra preta de índio”, um fino tapete rico em húmus, e são os microorganismos aí presentes que produzem os nutrientes de que as árvores se alimentam.
Quando a cobertura florestal é removida, o ciclo se rompe. Pois a camada de “terra preta” é superficial e, sem a floresta para de um lado renovar os componentes orgânicos e de outro segurá-los, é rapidamente degradada. Até mesmo pela chuva, que nessas condições, sem a floresta para proteger o solo do impacto direto, carrega a terra para as barrancas dos rios acelerando a erosão.
Uma vez derrubada, portanto, a floresta não se recompõe. Disso sabe, ou deveria saber, o deputado Aldo Rebelo. O campo progressista não comporta alianças com forças antagônicas à sua história de combatividade, coerência e superação. Estamos vivendo um debate decisivo para a agenda que a esquerda pretende propor. O fio da navalha onde tudo perde a cor, e dificilmente se refaz, reaparece no cenário político. Como nas florestas degradadas.
Fonte: Blog do Miro
domingo, 15 de maio de 2011
A luta das Mães de Maio: uma lágrima de justiça, não de vingança
Cinco anos dos ataques do PCC em São Paulo se passaram. Na expressão e no discurso das mães que perderam seus filhos, vítimas do confronto entre civis e policiais, a lembrança ainda é recente. Para homenageá-los e reivindicar os direitos que lhes foram tirados, as Mães de Maio se reúnem no lançamento do livro Do Luto à Luta e aproveitam para debater o preconceito social, a impunidade e as ações do Estado em regiões marginalizadas.
Por Fabíola Perez
Vera Lúcia Andrade de Freitas estava em casa, quando ouvia barulhos muito fortes do lado de fora. Mesmo assim, lembra, o secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo avisava pela televisão que não havia motivo para pânico. Segundo ele, a situação já estava sob controle. “A vida pode voltar ao normal”, era o que se dizia. “Então, meu filho Matheus foi para a escola normalmente e aí, quando chegou no colégio, a professora disse que não iria ter aula. Logo depois, meu marido ouviu um barulho mais intenso, abriu a porta de casa e deu de cara com o corpo do Ricardo. A poucos metros de distância, vimos o corpo do Matheus estendido na rua”, conta ela.
Vera é uma das mães ouvidas pelo Vermelho que perderam seus filhos nos confrontos entre a polícia civil e militar e o PCC (Primeiro Comando da Capital). O crime ocorreu no dia 17 de maio, em Santos, cidade também atingida pelos ataques. No momento em que foi assassinado com três tiros por dois homens encapuzados, Matheus, de 21 anos, teve seu sonho de ingressar na faculdade de Ciências da Computação interrompido. Como ele, mais 492 pessoas (446 civis e 47 policiais) foram mortas no estado de São Paulo, sobretudo, na região metropolitana. Destas, 352 tinham entre 11 e 24 anos.
“O caso do meu filho não teve investigação nenhuma. Por que os policiais que estavam nas ruas não foram atrás dos homens encapuzados? São muitas perguntas sem respostas. A cada menino que morre, volta tudo aquilo que a gente passou e, para nós, isso é um grande sofrimento”, desabafa Vera.
Em busca da resposta
Passados cinco anos dos ataques atribuídos ao PCC, o Movimento Mães de Maio, junto a outras entidades de direitos humanos, luta pela federalização das investigações. Segundo as militantes, no âmbito estadual elas estão longe de serem satisfatórias.
O estudo “São Paulo sob Achaque”, divulgado em 9 de maio deste ano, pela ONG Justiça Global, em parceria com a Universidade de Harvard, aponta que houve indícios da participação de policiais em 122 execuções entre 12 e 20 de maio de 2006.
“Os crimes de maio não chocaram apenas São Paulo, mas repercutiram nas Américas e no mundo inteiro. Queremos a federalização dos crimes não resolvidos e a implementação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPMI) para colaborar nessas investigações. As autoridades paulistas não cumpriram suas obrigações”, declarou James Cavallaro, da Justiça Global.
De acordo com a Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo, quase 80% das ocorrências registradas como “resistência seguida de morte” foram arquivadas. Ainda segundo os números da Ouvidoria, apenas cinco policiais foram denunciados pelos assassinatos, sendo quatro militares e um civil. O número corresponde a 4% do total.
Segundo o ouvidor, Luiz Gonzaga Dantas, 19 dos 48 casos de “resistência seguida de morte”, que foram acompanhados pela ouvidoria estão em andamento até hoje. O departamento acompanhou ainda 58 casos de assassinatos cuja autoria é desconhecida. Destes, 70% foram arquivados.
É a busca por essas respostas – segundo os movimentos engajados na luta contra o extermínio da população empobrecida pelo Estado, até hoje ocultadas – que faz Vera e tantas outras mães relembrem a sua dor. “Falo também em nome das que não podem lutar. A mãe do Ricardo, amigo do meu filho, está com quase 80 anos e já não tem mais condições de lutar pela memória de seu menino”, conta.
O filho de Débora Maria da Silva, Edson Rogério dos Santos, na época com 29 anos, também foi encontrado morto com cinco tiros na periferia de Santos. Sua mãe, hoje líder do Movimento Mães de Maio, lembra que ele deixou um filho de três anos. Com a voz, embargada e firme ao mesmo tempo, Débora conta o exato momento em que Edson foi abordado. “Foi em um posto de gasolina que dois policiais se aproximaram e o agrediram na frente de um amigo. Ele disse que era trabalhador, mas a carteira de identidade nem chegou a ser vista”.
“Ninguém viu meu filho ser morto. Meu menino foi assassinado em um crime bárbaro. Ele era gari e não tinha nenhuma passagem pela polícia”, garante Débora. Para ela, que teve o caso arquivado no final de 2007, “a morte dói muito, mas o que dói mais ainda é a impunidade”. “Esses meninos tinham família, tinham sonhos, tinham vida e cinco anos depois a gente continua sem saber de nada”. A líder conta que ela, pelo menos, conseguiu enterrar o filho. “Outras companheiras, nem essa chance tiveram”.
Força para militar
Outra conclusão apontada pelo relatório elaborado pela Justiça Global é a corrupção policial como um dos fatores que desencadearam os ataques de maio de 2006. Como consequência – para minimizar os embates e o clima de medo e terror vivido pela população de São Paulo –, a ordem para a Polícia, naquele momento, foi potencializar o uso da força e da repressão. Não à toa, os ataques marcaram o mês como um período fatídico para o Estado.
Entretanto, a violência em ações policiais não é uma marca exclusiva dos crimes ocorridos em 2006. Segundo especialistas, geralmente, em operações de combate, a população marginalizada é a que sofre as agressões diretas dos oficiais. Foi o caso da professora carioca Maristela Santos, de 30 anos, que se emociona ao lembrar a perda seu irmão, Josenildo Estanislau dos Santos, durante uma abordagem policial.
“Eu já militava na área da educação, mas, nunca tinha parado para pensar nos crimes cometidos por policiais. A sociedade considerar natural esse tipo de morte (confronto entre a Polícia e civis) é uma coisa lamentável”, acredita a professora.
Maristela conta que seu irmão morreu depois de uma invasão truculenta da Polícia do Rio de Janeiro. “Ele estava trabalhando em uma horta quando o grupo de oficiais o assassinaram. Ele não era usuário de drogas, nem estava com armas”, indigna-se.
Para Maristela, a Justiça só atinge as camadas mais pobres, “mais invisíveis”. “Infelizmente, o povo, em sua maioria não tem poder de articulação”, acredita. Para reivindicar seus direitos, a professora lembra que chegou a ir três vezes ao Batalhão de Polícia do Rio. “Eles se assustaram com a minha cobrança e não me receberam nenhuma das vezes”.
Débora, a líder do Movimento, defende que as mães deveriam estar completando cinco anos com os assassinos de nossos filhos pagando pelo que fizeram. “Eles foram tratados como se fossem bandidos e ainda que fossem aqui no Brasil não tem pena de morte”, afirma. “Nossa lágrima é de justiça e não de vingança”.
Fonte: Portal Vermelho
terça-feira, 3 de maio de 2011
O fracasso do oráculo tucano e o declínio da oposição
Com a vitória do sociólogo Fernando Henrique Cardoso, em 1994, a embriaguês provocada pelo sucesso do Plano Real levou Sergio Motta, então ministro das Comunicações, a prever que o PSDB ficaria no poder por 20 anos (para isso não poupou forças e atropelou limites éticos). Preparou a emenda da reeleição de FHC e passou como um trator sobre a oposição ao catar votos a qualquer preço.
Por Mauricio Dias, em Carta Capital
Elogiado como operador político e financeiro das campanhas eleitorais tucanas, Motta falhou no papel de oráculo. O planejado império tucano durou oito anos. Empurrado para o papel de principal opositor do governo petista o PSDB e, mais ainda, seus aliados sofreram um impacto ameaçador ao longo dos oito anos do operário Lula no governo. A vitória de Dilma acelerou o processo e o DEM (ex-PFL), por exemplo, vive um perigoso minguante.
O que explica a erosão político-partidária da oposição?
Reflexões mais profundas levariam à conclusão de que, sem enraizamento social, ela perdeu-se ao deixar o poder. Mas há circunstâncias contingenciais.
Os adversários do PT ficaram sem o norte, dizem em coro. É mais grave, porém, do que isso. Eles se desnortearam ao se apresentarem nas eleições tentando esconder o que fizeram: as privatizações que pressupunham a destruição das bases do “Estado brasileiro” para soerguimento de um “Estado mínimo”, globalizado e sem soberania.
O retrato desse amedrontado comportamento foi exibido no decorrer das três últimas campanhas presidenciais.
Como opositores, são muitas as quimeras dos tucanos. Eles agora prenunciam uma “ditadura partidária” do PT que pode levar à situação ocorrida no México. Ou seja, o domínio, por 70 anos, do Partido Revolucionário Institucional (PRI).
Essa nova tentativa de aterrorizar a sociedade entra, no entanto, em contradição com o devaneio de que são da oposição, ou ainda melhor, significam rejeição a Dilma, 43 milhões, 711 mil e 388 votos obtidos pelo candidato José Serra no 2º turno. Isso equivale a 43,95% dos votos válidos.
Eis a tese:
“O papel da oposição, em larga medida, foi representado pela mídia”, escreveu com precisão, recentemente (em O Globo), o embaixador aposentado Rubens Barbosa, presidente do Conselho de Comércio Exterior da Fiesp, ao lamentar que a oposição tenha perdido o discurso. Mas foi impreciso o formulador tucano ao deduzir que “… 43 milhões rejeitaram o que o PT representa…”
Essa teoria trava uma briga de morte com os fatos. A teoria morre no fim.
Os eleitores não são cativos dos candidatos. Nem dos que ganham nem dos que perdem. Aqueles 43 milhões ainda estão colados no candidato derrotado?
Números inéditos da pesquisa Ibope, de março de 2011, respondem que não. Ao se manifestarem pela aprovação do governo e pela confiança que depositam em Dilma eles dão sinais de que se desgarram dos tucanos. Isso não significa, entretanto, que tenham trocado de lado. Dilma parece ter cooptado uma parte substancial dos eleitores que declararam ter votado em Serra no 2º turno (quadro ao lado). Ou seja, parece estar se esvaindo aquele estoque de votos que os tucanos acreditam cativo.
Eleitores e quimeras se esfumam como “a brancura da espuma que se desmancha na areia”, tal como ensina o samba Risque, clássico de Ari Barroso.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Estudo aponta sugestões para políticas de Educação
Levantamento mostra impacto do aprendizado no desenvolvimento e a importância da valorização do professor na qualidade do ensino.
As políticas para a educação precisam ser unificadas, mas, ao mesmo tempo, flexíveis. Quem pensa assim é o pesquisador e subsecretário de Ações Estratégicas da Presidência da República, Ricardo Paes de Barros. Segundo ele, é necessário haver modelos comuns em todo o sistema educacional e ressalta a importância dessas fórmulas serem adaptadas a realidades regionais.
“Você pode fazer um leque de coisas, e cada um [gestor] escolhe dentro daquele leque a combinação que ele quer mais”, disse ao apresentar um levantamento organizado por ele com apoio do Instituto Ayrton Senna e do Movimento Todos Pela Educação. O estudo, elaborado a partir de 165 estudos nacionais e internacionais, analisa o impacto das políticas educacionais no aprendizado dos alunos. O material foi reunido em um site que servirá de base de consulta para pais, professores e gestores escolares.
A partir do trabalho, Barros concluiu que não é possível sintetizar uma fórmula de sucesso para potencializar ao máximo o aprendizado dos estudantes, apesar do assunto ter sido exaustivamente estudado em todo o mundo. “[O aprendizado] tem um impacto enorme sobre desenvolvimento econômico, todo mundo quer saber como melhora o desempenho em matemática e ciências, todos os países do mundo, e você não consegue descobrir isso”.
De acordo com ele, existem, entretanto, questões pontuais que demonstraram ter efeito direto sobre o aproveitamento nas salas de aula. Essas medidas, Barros defende que sejam padronizadas e difundidas por meio de amplas políticas educacionais, sem abrir mão das adaptações locais. “É importante essa padronização dos componentes sem padronizar a seleção dos componentes”, afirmou.
Entre os destaques do estudo, está a constatação de que um aluno que tenha aulas com um professor, que está entre os 20% melhores da rede de ensino, pode aprender em um ano 68% mais do que outro que estude com um docente que faça parte dos 20% piores. Além disso, o aproveitamento também é influenciado pelo tamanho da turma. Em média, uma redução de 30% no no número de alunos em uma mesma sala leva a um aumento de 44% daquilo que o estudantes aprendem.
A remuneração do profissional também tem peso nessa equação. Redes de ensino em que os salários são mais altos atraem para as salas de aula os melhores candidatos interessados em exercer aquela ocupação. Mas, segundo os estudos analisados, aumentos salariais ao longo da carreira que não estejam vinculados ao desempenho do professor têm pouco impacto no aprendizado. “A existência de algum componente variável na remuneração dos professores, como bônus atrelado ao desempenho, pode aumentar o nível de esforço e dedicação deles. Em ambos os casos, o resultado é uma melhora no desempenho dos alunos em exames de proficiência”.
Por Agência Brasil.