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segunda-feira, 2 de maio de 2011

Estudo aponta sugestões para políticas de Educação

 

Levantamento mostra impacto do aprendizado no desenvolvimento e a importância da valorização do professor na qualidade do ensino.

As políticas para a educação precisam ser unificadas, mas, ao mesmo tempo, flexíveis. Quem pensa assim é o pesquisador e subsecretário de Ações Estratégicas da Presidência da República, Ricardo Paes de Barros. Segundo ele, é necessário haver modelos comuns em todo o sistema educacional e ressalta a importância dessas fórmulas serem adaptadas a realidades regionais.


“Você pode fazer um leque de coisas, e cada um [gestor] escolhe dentro daquele leque a combinação que ele quer mais”, disse ao apresentar um levantamento organizado por ele com apoio do Instituto Ayrton Senna e do Movimento Todos Pela Educação. O estudo, elaborado a partir de 165 estudos nacionais e internacionais, analisa o impacto das políticas educacionais no aprendizado dos alunos. O material foi reunido em um site que servirá de base de consulta para pais, professores e gestores escolares.
A partir do trabalho, Barros concluiu que não é possível sintetizar uma fórmula de sucesso para potencializar ao máximo o aprendizado dos estudantes, apesar do assunto ter sido exaustivamente estudado em todo o mundo. “[O aprendizado] tem um impacto enorme sobre desenvolvimento econômico, todo mundo quer saber como melhora o desempenho em matemática e ciências, todos os países do mundo, e você não consegue descobrir isso”.
De acordo com ele, existem, entretanto, questões pontuais que demonstraram ter efeito direto sobre o aproveitamento nas salas de aula. Essas medidas, Barros defende que sejam padronizadas e difundidas por meio de amplas políticas educacionais, sem abrir mão das adaptações locais. “É importante essa padronização dos componentes sem padronizar a seleção dos componentes”, afirmou.


Entre os destaques do estudo, está a constatação de que um aluno que tenha aulas com um professor, que está entre os 20% melhores da rede de ensino, pode aprender em um ano 68% mais do que outro que estude com um docente que faça parte dos 20% piores. Além disso, o aproveitamento também é influenciado pelo tamanho da turma. Em média, uma redução de 30% no no número de  alunos em uma mesma sala leva a um aumento de 44% daquilo que o estudantes aprendem.


A remuneração do profissional também tem peso nessa equação. Redes de ensino em que os salários são mais altos atraem para as salas de aula os melhores candidatos interessados em exercer aquela ocupação. Mas, segundo os estudos analisados, aumentos salariais ao longo da carreira que não estejam vinculados ao desempenho do professor têm pouco impacto no aprendizado. “A existência de algum componente variável na remuneração dos professores, como bônus atrelado ao desempenho, pode aumentar o nível de esforço e dedicação deles. Em ambos os casos, o resultado é uma melhora no desempenho dos alunos em exames de proficiência”.


Por Agência Brasil.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

“Educação tem que ser 10”: A Jornada de Lutas da UNE e o Plano Nacional de Educação

Ola amigos. Retorno a minha vida de blogueiro com um artigo interessante sobre a luta em defesa da educação pública em nosso pais. Boa leitura e até breve.

Nos últimos dias diversas cidades brasileiras vivenciaram uma rica situação: estudantes ocupando universidades, escolas e ruas, organizando debates, atos e passeatas e chamando a atenção de toda a sociedade para o debate do Plano Nacional de Educação 2011-2020. A Campanha “Educação tem que ser 10” é da UNE, da UBES, da ANPG e dos milhões de brasileiros que apostam na nossa gente e no nosso futuro.

Jovens de todo o Brasil, estudantes de universidades e escolas, compartilhando a incrível experiência de estarem ligado uns aos outros, nesta imensidão de interiores e litorais que é o Brasil, por uma ação comum expressando a indignação com as injustiças e irradiando a esperança e alegria dos que percebem que a história é construída a várias mãos.

O Brasil ganha nova oportunidade histórica com a discussão sobre metas e diretrizes de sua política educacional para uma década que se abre marcada por expectativas de crescimento econômico e transformações sociais. No horizonte de toda uma geração à frente do país, a possibilidade de firmar passo em um caminho de desenvolvimento nacional com distribuição de renda e avanços democráticos que leve o Brasil a desempenhar seu papel de liderança em defesa da paz e da justiça social no mundo.

O Brasil acaba de ultrapassar a Itália tornando-se a sétima economia do mundo e, segundo projeções de diversos organismos econômicos, nesta década ultrapassará França e Inglaterra, chegando em 2020 à condição de nação com o quinto maior PIB do planeta. No entanto, o Brasil ocupa atualmente a 88º posição no ranking de Educação da UNESCO – com base em índice elaborado na Conferência Mundial de Educação de 2000 em Dakar.

A qualidade da educação que o Brasil oferece aos brasileiros, apesar dos muitos avanços recentes, é absolutamente desproporcional em relação às nossas possibilidades. O Brasil ainda não conseguiu ultrapassar a marca dos 5% do PIB investidos em Educação. A presidente Dilma comprometeu-se em atingir 7% até 2014 e o Congresso deve aprovar chegar ao mínimo de 10% em 2020, estipulando estratégias sérias e consistentes para tal fim como a vinculação de 50% do Fundo Social do Pré-Sal para o desenvolvimento da educação brasileira.

Dados publicados pelo IBGE na última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios sobre a Educação no Brasil revela uma população com ainda 14,1 milhões de analfabetos contrastando com os 6,5 milhões de brasileiros cursando o ensino superior. Os professores da Educação Infantil e do Ensino Básico ocupam a base da escala de remuneração entre as categorias profissionais do país, segundo estudos do DIEESE.

A sociedade brasileira deve refletir sobre estas contradições grosseiras que podem e devem ser superadas, tendo na aprovação do novo PNE 2011-2020 um importante instrumento se o Congresso Nacional ousar enfrentar as desigualdades que limitam as realizações de um povo disposto e capaz como o brasileiro. E se ousar enfrentar os interesses daqueles que ganham e se enriquecem com o desperdício da inteligência de milhões.

O Brasil não tem o direito de pensar pequeno em termos de Educação. E os estudantes estão atentos e se movimentam para construir hoje o Brasil do amanhã. Ao longo deste ano o Poder público e a sociedade brasileira serão desafiados a tratar a educação do país à altura do que nosso povo merece e precisa. A ação dos estudantes quer chamar atenção para isso.

Nas águas de março que fecharam o verão de 2011 a Jornada de Lutas do movimento estudantil é promessa de vida no coração Brasil, como uma enxurrada de sonhos ou como a fonte da juventude lembrando que a UNE é, e sempre foi e será, energia viva e criativa do país, provocando e contagiando a sociedade a avançar e construir o novo.

*Daniel Iliescu é diretor de Relações Internacionais da UNE e membro do movimento “Transformar o sonho em realidade”