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Brasil é campeão mundial no tempo gasto em redes sociais: cada
internauta fica em média oito horas e cinco minutos por mês nesses
sites, segundo o Ibope Nielsen On-line. A consequência é a crescente
demanda por profissionais que transformem essa paixão do brasileiro em
publicidade para as marcas.
Mas trabalhar com comunidades virtuais é mais do que fazer posts atraentes no Twitter ou no Facebook.
"Embora a gente fale de analistas de mídia social, existem
especialidades diferentes nesse universo", diz Ian Black,
presidente-executivo da agência New Vegas.
Quando a profissão surgiu, há cerca de cinco anos, era comum que as
empresas contratassem pessoas que ficavam muitas horas na internet para
cuidar de tudo o que fosse relacionado à sua presença nas redes sociais,
desde a estratégia até o relacionamento com os consumidores. Hoje, isso
mudou.
SEGMENTAÇÃO
A agência de marketing digital Frog, do Rio, chegou a divulgar um
manifesto em que anunciava a "morte" do analista de mídias sociais e
afirmava que a função na empresa seria dividida entre pessoas de
planejamento, conteúdo, análise e pesquisa.
"Os próprios candidatos às vagas ficam confusos por não saberem
exatamente qual é o escopo da profissão", diz Roberto Cassano, diretor
de estratégia da empresa.
Essa vontade de se especializar parte dos próprios profissionais.
Marina Bonafé, 26, era coordenadora de mídias sociais de um site de
downloads, mas neste ano decidiu mudar de emprego para se dedicar
somente a um dos nichos da profissão, o de monitoramento.
"Eu verifico o que as pessoas estão falando sobre a marca, faço análises e dou ideias de posts para a área de conteúdo", conta.
Algumas vezes, o trabalho com mídias sociais tem pouca relação com
comunicação. Uma tarefa importante é analisar números sobre o desempenho
das empresas e fazer relatórios, algo mais próximo da matemática e da
estatística.
"Esse profissional precisa ter bom raciocínio lógico, saber analisar
tabelas e gráficos", diz Roberta Paixão, sócia-diretora da agência
Espalhe.
REMUNERAÇÃO
Apesar da importância das redes sociais para as marcas, os
profissionais ainda recebem salários baixos, se comparados aos de outras
carreiras de publicidade relacionadas a mídias digitais.
Uma pesquisa da Abradi (Associação Brasileira das Agências Digitais)
em 112 empresas do setor indica que, no Sudeste, um analista de mídia
social sênior ganha em média R$ 3.661, a segunda pior remuneração entre
as funções analisadas.
Jonatas Abbott, presidente da associação, diz que a tendência é que esse quadro mude em um futuro próximo.
"A demanda por esses profissionais é surpreendente. O cargo vai ser valorizado naturalmente", diz.
A consultoria de recrutamento Michael Page aponta cenário positivo
para a remuneração. A empresa indica a profissão de gerente de
comunidade, que tem a função de criar e implementar estratégias
corporativas em redes sociais, como uma das sete novas profissões do
futuro.
Segundo a consultoria, a remuneração média para essas vagas vai de R$ 7.000 a R$ 10 mil no Brasil.
Marcelo Cuellar, "headhunter" da empresa, diz que esses salários mais
altos são de pessoas com funções de coordenação, e não as envolvidas no
"trabalho braçal" da profissão.
O consultor da Michael Page afirma que, atualmente, cresce nas
empresas a exigência de que altos executivos tenham vivência no trabalho
com redes sociais.
"As companhias procuram pessoas que saibam lidar com várias áreas do
marketing e também tenham experiência comprovada em mídias sociais",
diz.
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