quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Inpi nega à Apple registro da marca iPhone no Brasil
A batalha entre a Apple e a Gradiente pelo uso da marca iPhone ganhou nesta quarta-feira um novo capítulo. O Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi) negou o registro por parte da Apple de quatro marcas de aparelhos no Brasil, todas relacionadas à iPhone, segundo informações da assessoria de imprensa do órgão.
A decisão, porém, não proíbe a Apple de seguir a venda de seu aparelho de telefone no Brasil. "O Inpi não tem esse poder. Apenas o Poder Judiciário pode fazer isso", afirmou um porta-voz do instituto.
Depois de tomar conhecimento da decisão. a Apple também ingressou no Inpi solicitando a caducidade do registro feito pela Gradiente, sob o argumento de que a empresa brasileira não teria comercializado o produto no período de cinco anos a partir da concessão da marca, em janeiro de 2008. Assim, a Gradiente terá de provar que utilizou a marca iPhone comercialmente nos últimos cinco anos. A companhia brasileira tem sessenta dias a partir desta quarta-feira para responder ao orgão. O processo, contudo, só será finalizado após o Inpi analisar as provas apresentadas pela Gradiente. O órgão não tem um prazo específico para divulgar sua decisão.
A Companhia Brasileira de Tecnologia Digital (CBTD), que arrenda a marca Gradiente, lançou em dezembro do ano passado um aparelho com a marca "iphone", com sistema operacional Android, do Google.
A escolha do nome "iphone", segundo a empresa brasileira, é anterior à invenção do smartphone homônimo da Apple. A IGB, dona da Gradiente, fez em 2000 o pedido de registro da marca ao INPI, que o concedeu apenas em 2008.
(Com Estadão Conteúdo)
domingo, 26 de junho de 2011
O desafio do leitor em movimento
Uma nota na edição de sexta-feira (24/6) da Folha de S.Paulo informa que o brasileiro é o leitor que mais utiliza tablets e smartphones para acessar conteúdo jornalístico. A notícia tem origem em estudo realizado pela empresa americana de consultoria ComScore, criada em 1999 e considerada a instituição de pesquisa com maior penetração e capilaridade no ambiente de negócios digitais.
A metodologia da empresa utiliza a experiência de monitoramento de compras online, que permite consultar centenas de milhares ou até milhões de pessoas, ao contrário das técnicas baseadas em amostragens selecionadas. Sua reputação entre profissionais de publicidade e marketing equivale, no Brasil, ao status obtido pelo Ibope na mensuração da audiência de televisão.
Por essas razões, o trabalho da ComScore merece ser analisado com atenção pelos gestores das empresas jornalísticas.
Modos de ler
O levantamento considerou 13 mercados em todo o mundo. Segundo o resumo apresentado pela Folha, no Brasil o tráfego de sites de conteúdo jornalístico a partir de aparelhos móveis diferentes de computadores portáteis é mais do que duas vezes maior que a média mundial de acessos a sites por esses novos gadgets. Dos mercados pesquisados, apenas a Índia apresenta índices inferiores de acesso a conteúdo noticioso do que a média.
No cômputo geral, o acesso à internet ainda é feito basicamente a partir de computadores pessoais, mas a preferência pela busca de notícias a partir de telefones celulares e tablets mostra uma tendência que pode afetar a forma de produzir jornalismo.
O aparelho preferido pelos brasileiros entre os meios de acesso diferentes de computadores pessoais é o tablet iPad, seguido pelo iPhone, também da Apple.
Embora o número de aparelhos desse tipo no Brasil ainda não possa ser comparado aos de mercados como Japão e Estados Unidos, para os pesquisadores é importante observar como os usuários se apropriam das novas tecnologias.
Com uma base ainda dominada por computadores de mesa, o mercado brasileiro de internet tende a se expandir com os planos de universalização do acesso e os gestores precisam conhecer a evolução dos hábitos do público para preparar suas estratégias.
Essencialmente, o que a pesquisa da ComScore está dizendo é que, com um aparelho portátil nas mãos, feito originalmente para ser usado como telefone e com acesso à internet, é forte a tendência de uso desse equipamento para a obtenção de notícias e informações. Isso afeta profundamente o conceito de leitura e, com isso, até mesmo o modo de produzir, organizar e entregar o conteúdo jornalístico.
A essência do jornalismo
Uma das características que se pode constatar no uso de aparelhos como smartphones e tablets é o acesso a informações utilitárias, como localização de endereços, confirmação de horários de eventos e obtenção de dados sobre condições de trânsito, assim como o acesso a previsões meteorológicas, muito popular nos Estados Unidos.
No entanto, também se pode observar empiricamente, através das redes sociais, que o compartilhamento de informações é uma prática consolidada entre os usuários. Praticamente todas as empresas jornalísticas já instalaram em suas páginas online os pontos de ligação de reportagens, imagens e artigos com as redes tipo Facebook ou Twitter.
Desse conjunto de dados se pode concluir que o público se torna cada vez mais móvel e, contraditoriamente, ainda mais ligado nos acontecimentos. A imagem do homem sentado num café com um jornal de papel nas mãos era o mais alto grau de mobilidade da notícia que a imprensa conseguia imaginar até pouco tempo atrás. Agora, quase tudo cabe num aparelho que pode ser levado no bolso da camisa.
A questão que se coloca é: qual será o tamanho do jornalismo que se vai oferecer a esse cidadão? O dilema de oferecer textos longos nos tablets já foi superado com o sucesso dos livros digitais. A pesquisa da ComScore mostra que, quando a informação é interessante, o tamanho da tela deixa de ser um obstáculo à leitura. Portanto, voltamos à origem: o grande desafio da imprensa segue sendo o de produzir conteúdos que valham o tempo do público.
As mudanças na tecnologia exigem adaptações no formato e talvez venham a alterar até mesmo as técnicas de redação e composição de dados numa reportagem, como a apresentação de parte das informações em formato gráfico. O que não muda é a essência do jornalismo e sua capacidade de representar da maneira mais realista e instigante os fatos do mundo.
